quinta-feira, 4 de agosto de 2016

MUSEU MINEIRO - S.PEDRO DA COVA


O Museu Mineiro criado em 1989 em S. Pedro da Cova- Gondomar- está instalado numa das antigas Casa da Malta designação dada aos alojamentos que serviam de casa aos operários oriundos de outras localidades denominados malteses .Este museu tem por finalidade valorizar,divulgar e dinamizar o património geológico e mineiro da região. Apesar de as minas terem encerrado definitivamente em 1962, ainda hoje encontra-se in loco antigos e idosos mineiros que mesmo trabalhando em condições totalmente desumanas se lembram da altura em que a agricultura foi ultrapassada pelo trabalho nas minas. Os mesmos testemunham horriveis memórias do trabalho nas galerias subterrâneas.Foram esses que sentiram na  carne o trabalho sacrificado, a dificuldade em empurrar as  vagonetes,chamadas berlinas, totalmente cheias, chegando cada uma aos 700kgs, ou seja a equivalência a 7 “pirus” designação dos carros que transportavam o carvão.Os mineiro  com um gasómetro desciam até às profundas minas autenticas galerias hiantes e escuras,por uma espécie de elevador ou gávea onde trabalhavam expostos ao excessivo calor e humidade, sem ar respirável e ainda sujeitos à poeira do carvão  causadora da silicose, doença profissional crónica,  por inalação de sílica Estas minas  chegaram  a dar trabalho a 1.800 pessoas e foram as mais importantes do País,mesmo assim as condições que ofereciam eram sub-humanas e os salários ridículos, muitas vezes cortados pelos castigos infligidos pelos capatazes. Quanto às mulheres, também altamente sacrificadas tabalhavam afincadamente no empurrar das berlinas e na função de escolhideiras do carvão,  separando  o de mais brilho que era o melhor .Havia também as britadeiras que de joelhos em frente dos tanques de lama executavam bolas Em sinal de apoio  a estes trabalhadores  foi construido um Bairro Mineiro do qual faziam parte as Casa de Malta, com 2 pequenos quartos e uma cozinha,uma mercearia,escola,farmácia,um campo de futebol e uma espécie de salão recreativo.Aí viviam os mineiros com suas mulheres e filhos que a partir dos 14 anos eram obrigados a ir trabalhar para a mina, pois se houvesse recusa a habitação era-lhes tirada. Era assim a vida miserável das “toupeiras humanas”,nome  que teve origem no livro de Emile Zola o “Germinal” que tão bem e minuciosamente descreve este clã, ou não tivesse o próprio autor vivido numa mina  para aquilatar esta desumanidade de vida.Hoje  não obstante o seu estado de degradação aí se encontra o Cavalete do Poço de S.Vicente, o Ex-Libris de S.Pedro da Cova e um dos elementos edificados mais relevantes para a conservação da memória das minas de carvão que durante cerca de 7 décadas fizeram da povoação um centro industrial de inquestionável valor para a economia nacional.Todos os anos se realiza nesta localidade, a 4 de dezembro, uma procissão noturna em honra de Santa Bárbara, patrona dos mineiros.
 

 

 

  
 


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