sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SINTRA- PRAIA DO MAGOITO


Portugal tem recantos de encantar,visitar, revisitar ,dignos de contemplação e de evocação.A Paisagem Cultural de Sintra, património nacional da Unesco  ilustra tudo o que se possa exaltar de um ambiente místico e envolvente, não sendo  em vão que figuras importantes da literatura à música  a ela se referiram como Eça de Queirós que em quase todas as suas obras a evoca, não esquecendo que em parceria com Ramalho Ortigão perpetuaram o célebre romance “ O Mistério da Estrada de Sintra”. Também Sintra acolheu os iniciadores do Romântismo, em Portugal, A. Garrett e Alexandre Herculano, o célebre Strauss e  durante uma estada de quatro dias  Lord Byron que fascinado pela quietude e bucolismo do local expressou em versos todo o seu deslumbramento por a vila que considerou um autêntico Edén terreal.Também a sua riqueza patrimonial deve ser realçada, monumentos como os Palácios Nacionais de Sintra, da Pena, da Quinta da Regaleira, Monserrate Setiais(atualmente pertencente a uma unidade hoteleira) etc.Nesta altura do ano será pertinente referir as suas praias tão conhecidas e maravilhosas  como a  Praia das Maçãs, a da Aguda( há outra no norte), Ursa, S. Julião da Barra e demais. Mas a praia  do Magoito, em pleno Parque Natural de Sintra, na foz da ribeira da Mata reveste-se de uma característica muito especial pela presença de um geomonumento. É tida como  uma das praias  de maior concentração  de  iodo da Europa, areias de grande extensão e mar turquesa, rica em grande diversidade de fauna e flora propícia a alguns desportos aquáticos apresentando um passadiço de madeira que facilita o acesso a pessoas menos “capazes”. De lá se pode vislumbrar o ponto mais ocidental de Portugal, o Cabo da Roca, celebrizado por Camões no III Canto dos Lusíadas que cita: “onde a Terra acaba e começa o Mar” Mas o mais sui generis neste espaço de lazer é uma duna fóssil consolidada formada pela acumulação de areia gerada pela acção conjunta do mar e do vento, formada há cerca de 10.000 anos. É um lugar de elevado interesse científico e didático na área da geociência e um dos mais importantes monumentos naturais do concelho de Sintra. Há varias explicações para a sua longinqua aparição e formação;  estudiosos na matéria salientam que foram identificados diversos depósitos arqueológicos no seu flanco ao longo do rio Mata.Também vestígios de ocupação humana podem ser tomados em consideração dado o tipo de cerâmica aí existentes.Explorações mais recentes indicam que na segunda metade do sec.XX foram descobertas duas estações arqueológicas sendo a primeira constituída por um depósito negro com numerosas conchas de várias espécies de moluscos,fragmentos de carvão vegetal, pedras fragmentadas pela acção do fogo e raros artefactos de silex.Quanto à segunda no flanco da duna há depósitos de conchas de dimensões maiores, restos de cerâmica.Historiadores juntmente com arqueólogos continuam na pesquisa e estudo deste lugar, havendo para já quase a certeza que se trata de um vestígio da período Neolítico ou mesmo mais recente.

 

 

 







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