Portugal tem recantos de
encantar,visitar, revisitar ,dignos de contemplação e de evocação.A Paisagem
Cultural de Sintra, património nacional da Unesco ilustra tudo o que se possa exaltar de um
ambiente místico e envolvente, não sendo
em vão que figuras importantes da literatura à música a ela se referiram como Eça de Queirós que em
quase todas as suas obras a evoca, não esquecendo que em parceria com Ramalho
Ortigão perpetuaram o célebre romance “ O Mistério da Estrada de Sintra”.
Também Sintra acolheu os iniciadores do Romântismo, em Portugal, A. Garrett e
Alexandre Herculano, o célebre Strauss e
durante uma estada de quatro dias
Lord Byron que fascinado pela quietude e bucolismo do local expressou em
versos todo o seu deslumbramento por a vila que considerou um autêntico Edén
terreal.Também a sua riqueza patrimonial deve ser realçada, monumentos como os
Palácios Nacionais de Sintra, da Pena, da Quinta da Regaleira, Monserrate
Setiais(atualmente pertencente a uma unidade hoteleira) etc.Nesta altura do ano
será pertinente referir as suas praias tão conhecidas e maravilhosas como a
Praia das Maçãs, a da Aguda( há outra no norte), Ursa, S. Julião da Barra
e demais. Mas a praia do Magoito, em
pleno Parque Natural de Sintra, na foz da ribeira da Mata reveste-se de uma
característica muito especial pela presença de um geomonumento. É tida como uma das praias de maior concentração de iodo da Europa, areias de grande extensão e
mar turquesa, rica em grande diversidade de fauna e flora propícia a alguns
desportos aquáticos apresentando um passadiço de madeira que facilita o acesso
a pessoas menos “capazes”. De lá se pode vislumbrar o ponto mais ocidental de
Portugal, o Cabo da Roca, celebrizado por Camões no III Canto dos Lusíadas que
cita: “onde a Terra acaba e começa o Mar” Mas o mais sui generis neste espaço
de lazer é uma duna fóssil consolidada formada pela acumulação de areia gerada
pela acção conjunta do mar e do vento, formada há cerca de 10.000 anos. É um
lugar de elevado interesse científico e didático na área da geociência e um dos
mais importantes monumentos naturais do concelho de Sintra. Há varias
explicações para a sua longinqua aparição e formação; estudiosos na matéria salientam que foram
identificados diversos depósitos arqueológicos no seu flanco ao longo do rio
Mata.Também vestígios de ocupação humana podem ser tomados em consideração dado
o tipo de cerâmica aí existentes.Explorações mais recentes indicam que na
segunda metade do sec.XX foram descobertas duas estações arqueológicas sendo a
primeira constituída por um depósito negro com numerosas conchas de várias
espécies de moluscos,fragmentos de carvão vegetal, pedras fragmentadas pela
acção do fogo e raros artefactos de silex.Quanto à segunda no flanco da duna há
depósitos de conchas de dimensões maiores, restos de cerâmica.Historiadores
juntmente com arqueólogos continuam na pesquisa e estudo deste lugar, havendo
para já quase a certeza que se trata de um vestígio da período Neolítico ou mesmo
mais recente.





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