domingo, 24 de julho de 2016

CULTO DOS MORTOS

A crença  religiosa do Homem, aliada talvez a um certa superstição, começou a evidenciar-se desde  tempos remotos. Isto levou-o, além de outras culturas como as manifestações artísticas, em prol do seus deuses, ao culto dos mortos, o que acontecia através de cerimónias, orações e rituais oferecidos em memória dos então partidos do mundo. Na era Paleolítica os corpos eram pintados, muitas vezes com ocre vermelho, enterrados com adornos e restos de comida numa posição fletida. Este ritual continuou pela Antiguidade, e foi já na Mesopotâmia, atual Iraque, que os seus heterógenos povos, manifestaram o seu crédito pela vida pós- morte que tinha uma grande importância na cultura deste povo. Segundo a sua mitologia os mortos eram enviados para um mundo subterrâneo, onde se alimentavam de pó e poeira;  os vivos reverenciavam os mortos, pois acreditavam que assim a vida lhes correria bem. Não havia julgamento pós vida, mas os mortos atravessavam  um rio aí permanecendo até á eternidade.  Também aqui os mortos eram enterrados com alguns dos seus pertences e a tumba que os abrigava, mostrava a situação financeira do defunto. Relativamente aos hebreus, israelitas ou judeus, povo monoteísta, tinham uma visão muito semelhante aos sumérios. Os mortos eram encaminhados para uma espécie de submundo sombrio – Sheol - .Aqui também não há julgamento final e a vida na terra é mais valorizada do que a vida pós morte onde não se faz a distinção entre céu e inferno. Os fenícios, povo de grandes transações comerciais  e marinheiros representavam  homenagem aos seus mortos pela construção de monumentos megalíticos , como antas, dolmens ou mesmo cromolegues. Quanto aos Persas baseados no Zoroastrismo apresentavam a ideia que 30 dias após a morte a alma chegaria à Ponte Cinvitat e que cada alma seria julgada pelos deuses; as boas atravessavam a ponte , as más seriam lançadas ao inferno e as equilibradas entre o bem e o mal eram conduzidas para uma espécie de purgatório denominado Hamestagan. Segundo este povo, o espirito é puro, ma não o corpo, pelo que o corpo do morto para não conspurcar a terra, que é pura e fertil, é colocado nu  ao ar livre em estruturas metálicas, chamadas Torres de Silencio. Após comida a carne, restam os ossos que ficam ao sol para serem secos. Mais tarde para impedirem  todo este espetáculo macabro e   pestilento  aderiram à cremação.
Mas o auge da  necrografia foi atingido com  o requintado ritual dos egipcios que acreditando veementemente que após a morte a alma compareceria  diante do Tribunal do deus Osiris, teriam de proporcionar um certo bem estar aos mortos. Assim embalsamavam os corpos em sarcófagos quando se tratava de um faraó, enquanto a restante população era enterrada nas areias do deserto. Mas o embalsamento e a mumificação revestiam-se de umas certas cerimónias, englobando doze etapas de trabalhos; inicialmente lavavam o corpo, retiravam o cérebro pelas narinas; seguidamente  os  orgãos interiores eram também extraídos através de um corte feito no lado esquerdo do ventre, sendo as visceras guardada em vasos apropriados; então limpo o corpo lavavam-no com vinho de palma e secavam-no com perfumes em pó, sendo em seguida cheio de mirra e canela. Colocavam durante 35 dias o corpo num banho de natrão para perder a humidade e depois era recheado de linho, natrão e ervas aromáticas para preservar e dar forma. A  múmia, era encerrada em sarcófagos , feitos de terracota para garantir a sua inviolabilidade e  era -lhe colocada na cabeça  uma máscara funerária, reproduzindo os traços do morto para assim facilitar à alma o reconhecimento do corpo. Nas câmaras funerárias uma multidão de servidores ocupava-se dos afazeres diários para proporcionar ao morto o ambiente em que tinha vivido. Posteriormente na Antiguidade Clássica, os gregos e os romanos continuando-se a preocupar com o culto dos mortos, e dada a obrigação que aos mesmos assistia de os enterrar, prosseguiram  com requintados rituais fúnebres. E assim o culto dos mortos teve e continua a ter um lugar de relevo em quase todas as civilizações sendo, talvez, um dos fenómenos mais diversificados, estranhos e interessantes da História. Encontra-se, no entanto muito mais simplificado e  resolvido pela razoável aderência à cremação


sábado, 2 de julho de 2016

MUSEU DA FARMAICIA

Foi sempre da ambição de todos os farmacêuticos portugueses a existência de um local onde a história e desenvolvimento  da origem da doença e descobertas para a tentativa da sua eliminação estivessem patentes. Assim, em 1981 com a doação da coleção particular do Dr. Salgueiro Bessa à  Associação Nacional de Farmácias, começou-se a esboçar a esperança de um local onde se iriam  expor  explicações, acessórios e peças representativas do que foi a medicina ao longo  dos tempos. Em 1996 nascia então o Museu da Farmácia onde se  pode acompanhar a história da humanidade desde o paleolítico aos nossos dias,  existindo objetos que relacionam a interpretação da doença, a cura e o papel da farmácia e farmacêuticos através do tempo ,quer seja pela observação de frasquinhos e caixas de medicamentos de várias épocas, como por peças  que contam a sua própria história, não esquecendo o uso das farmácias ambulantes. Muitos objetos  foram doados pelos antigos proprietários e todo o espólio aí existente define ambientes verdadeiros. È notável os objetos de raro valor histórico, artístico, antropológico oriundo de civilizações distantes, como a Mesopotâmia, o Egipto, a Grécia, Roma, os Incas, os Astecas, o Islão, a Africa, o Tibete e a China, entre outros. No Porto este museu pode ser visitado na Zona Industrial ( Ramalde), onde além de todas as relíquias já citadas se pode encontrar, na integra, a reconstituição da antiga Farmácia Estácio. Uma das particularidades desta farmácia e que até certo ponto, não se esvai da  memória deve-se ao facto de nos finais dos anos 40 aí aparecer a celebre balança falante tornando-se um ex-libris da baixa portuense da época, e atraindo grande afluência. Infelizmente em 1975 um incendio de grandes proporções na rua Sa da Bandeira atingiu esta farmácia e destruindo grande parte do seu interior a  célebre balança desapareceu. Outra preciosidade é a Farmácia Islamica,  que existia  um palácio do Império Otomano, localizada em Damasco no sec.XIX. e onde terá funcionado um centro de ensino e uma botica. É uma sala quadrangular ricamente decorada com elementos ligados aos hospitais e universidades da área da saúde. Representa bem a cultura islâmica, sendo de salientar que o conceito de farmácia moderna surgiu no Islão, em Bagdad no sec. VIII.De referir, a propósito que as palavras almofariz, alambique ou química vêm do mundo árabe.   A sus existência era essencial tanto para os residentes tanto como para as populações das zonas limítrofes e palácios Estava organizada em duas fases: biblioteca medico- farmacêutica e a área dedicada à conservação dos medicamentos. Esta peça antes de chegar a Portugal encontrava-se na Inglaterra; de referir que se encontra totalmente intocável. Nas vitrinas dos vários expositores além de peças absolutamente impares e genuínas, há a fazer um reparo para a existência de um mosquito com milhares de anos conservado em âmbar. Paralelamente a toda esta panóplia evolutiva no que concerne  a origem da vida e da doença, poder-se-á encontrar num mural mais recente descobertas a avanços científicos decorridos no sec. XX p.e : a utilização do laser, descoberta das células estaminais embrionárias, sequência do DNA e da sus estrutura molecular, transplante do rim e coração, a TAC, pilula contraceptiva , sulfanilamidas, cura da tuberculose com a estreptomicina, o PAS- ácido para-amino salicílico etc.
 Pela importância de que se reveste este museu à época os Correios de Portugal dedicaram-lhe uma emissão de selos com imagens de algumas peça.
 Com a capacidade de invenção que os atuais meios oferecem ao Homem, e o seu constante afã e entusiasmo para a descoberta dos atuais flagelos profiláticos,  é de crer que em breve novos progressos serão de  salientar. Que os mesmos sejam rápidos.