terça-feira, 1 de maio de 2018

ENCERRAMENTO DO MERCADO DO BOLHÃO EM 26-04-2018

Dando cumprimento a uma morte há longo anunciada encerrou este fim de semana,sob um misto de saudade, emoção,desespero e até preocupação o simbólico “ Mercado do Bolhão” com uma existência já centenária.A este infeliz desfecho, embora havendo consciência da necessidade de uma exaustiva recuperação, assistiu o Pres. da Cam. do Porto que muito seraficamente fez ecoar um sino anunciando, tal qual num funeral, a despedida de um ícone do comércio tradicional numa descaracteriza...ção total de um interior ligado à parte humana e patrimonial.De construção neoclássica, com quatro entradas e dois pisos estava vocacionado para a venda de todos os produtos divididos por secções especializadas; foi homologado imóvel de interesse público pela particularidade das suas barraquinhas, maneira peculiar dos vendedores atrairem clientela muitas vezes já bastante familiar que ainda marralhavam o produto e também a lembrança de alguns já velhos e desusados pregões ditos com pilhéria e ousadia pelos mais maduros.As origens do nome “Bolhão” deve-se à existência de um extenso lameiro atravessado por um regato que ali formava uma grande bolha de água; à altura da sua construção em 1914 foi considerado uma obra de vanguarda devido ao betão armado conjugado com estruturas metálicas cobertas com madeira e cantaria de pedra granítica. Ao longo de toda a sua existência aí se verificaram obras de recuperação e modernização todavia as que agora se vão verificar e previstas para dois anos vão trazer profundas modificações entre as quais aquecimento no inverno, acesso direto ao metro, cave para acesso às cargas e descargas, restauração no piso superior e mercado de frescos no interior. Enquanto isso o mesmo ficará localizado num “bas-fond” de um centro comercial bastante próximo que à priori deixa muitas dúvidas quanto à eficiência e funcionalidade. E assim se dissipa o Património














domingo, 8 de abril de 2018

PASCOA 2018


2018-04-01 - DOMINGO DE PÁSCOA

Vivemos um período de especial importância para a Igreja Católica. consequentemente para todos os
que são crentes e que vivem momentos de reflexão, momentos de introspeção. Há contudo devido à vida acelerada que se vive, à maneira materialista do ser humano se comportar, um certo desenraizar de valores sobretudo nas cidades, mas que felizmente em locais mais pequenos continuam patentes e são uma mola forte para que aos mesmos ocorram quem pretende conservar as suas crenças. Um dos locais vinculativos às crenças religiosas e que tem um ponto alto nesta altura do ano é a  vila ribatejana do Sardoal que partilha com quem a visita um apreciado património material e imaterial fruto do legado de gerações passadas que os Sardoalenses teimam em respeitar e conservar. Aí se evidenciam os mais significativos pormenores pascoais como o engalanar das varandas com echarpes roxas, as festividades das Associações, as procissões acompanhadas pela Filarmónica local e o ponto  alto dos tapetes florais no interior das bastantes igrejas, fruto da imaginação do esforço e orgulho das gentes locais. São totalmente decorados com flores naturais e verdura , à exceção de algumas pequenas áreas verdes onde se junta  material sintético da relva artificial. É verdadeiramente de admirar o valor de toda uma arte sacra eivada de trabalho, ouro e do mais diversos pormenores religiosos que  inspiram fé e devoção. Esta pequena mas bonita localidade apresenta casas pintadas de branco adornadas com coloridas flores, uma limpeza excecional onde se sente já  a influência alentejana. Reflete um pouco da nossa história pois ai viveu D. Afonso Henriques e sofreu também um pouco aquando das Invasões Francesas. Há quem diga que foi no Sardoal que nasceu Gil Vicente pelo facto de em duas das suas obras- "Auto da India" e na Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela evidenciar referências muito pormenorizadas do Sardoal. Em sua memória aí se encontra o Centro Cultural de Gil Vicente onde de quando em vez se  exibem exposições temáticas. Nas imediações encontra-se outro local de índole também bastante religioso -Rossio ao sul do Tejo- e uma  pastelaria-fábrica da deliciosa "palha de Abrantes"  tigeladas, mulatos e uma  apetitosa variedade de doces conventuais. Bastante perto, também, se pode admirar a aldeia de Dornes recentemente eleita uma das sete maravilhas de Portugal onde se destaca a Torre dos Templários e a Igreja Nossa Senhora do Pranto bastante ligada à Rainha Santa Isabel e ao nome da localidade.