domingo, 23 de julho de 2017

QUINTA DA AVESSADA

Por muito que se calcorreie a região de lendas e tradições da zona vinhateira do Douro, há sempre um pequenino e bonito pormenor que na passagem anterior se nos escapou ou que talvez nessa momento ainda lá não se encontrasse. Daí o interesse manifestado pela reincidência de uma visita de quando em vez a esta região edílica orgulho de todos os seus habitantes e onde a agricultura se considera arte de assisitir impassível ao trabalho da Natureza. Não será de surpreender o impac...to que este local exerceu sobre pessoas de relevante valor nas artes da escrita, onde seria um sacrilégio não se mencionar, entre outros, Miguel Torga e o grande Eça de Queirós; o audaz Marquês de Pombal que mudou a situação económica da região, assim como a grande empresária Antónia Adelaide a “Ferreirinha” notável altruísta e defensora contibutiva da praga que assolou o cultivo das vinhas: a filoxera. Embora alastrada por larga superfície duriense, foi em Alijó, mais propriamente em Favaios,que tal praga suscitou grande apreensão, mas também onde foi mais depressa dizimada.Também o Conde Barão de Forrester. deixou o seu nome vinculado a esta região. Aqui se situa a Quinta da Avessada, muito conhecida pelo seu moscatel e onde se encontra um museu que divulga de forma inteligente a cultura local duriense. Trata-se da primeira Enoteca interactiva dotada de um sofisticado sistema de multimédia e audiovisual que transporta o visitante a uma época ancestral, tendo recebido em 2010 o prémio “Best of Wine Tourism”. Não tem produção em nome próprio e todo o resultado da vindima dos seus 25 hectares é encaminhado para a Adega Cooperativa de Favaios.Fica situada em pleno coração da Região Demarcada do Douro circunscrita por vinhedos e culturas durienses. Aí são vivenciadas representações etnográficas, memórias fotográficas ilustrando diferentes épocas relacionadas com o vinho. Já quanto aos jardins da quinta admira-se a extraordinária paisagem sobre o Vale do Douro e cuja localização a 600mts de altura imprime um sentimento de deslumbre e de impotência face à Mãe Natureza.Além de uma situação geográfica, quase impossível de descrever, deve-se enfatisar o facto da continuação de uns certos costumes gastronómicos e aqui far-se-à um destaque para a confeção da sopa nos potes de louça preta que são um ex-libris da cozinha da região.Também um reparo muito sentido para a alegria esfusiante manifestada pelos cantadores e batedores de bombo que tão bem e ougulhosamente sabem dar as boas vindas a quem os visita. Abençoada região, abençoada gente!


OFICINA-ATELIER ANTONIO CARNEIRO

A parte oriental da cidade do Porto está sobretudo para os mais “avançados” etáriamente recheada de recordações ou não fossem aqui situados os dois mais emblemáticos locais de ensino, na altura, devidamente separados por sexo. Quantas vezes se passearam os livros pela rua António Carneiro ( ex Barros Lima )com destino à então papelaria “Pirata” em busca de uma guloseima ou algo ingénuo, mas que para a altura era altamente....! Hoje com outros olhos e outro interesse quando aí se passa não se fica indiferente ao porquê do nome desta rua pois lá se encontra a Casa-Oficina ( embora muitos a denominem por Museu ) do pintor amarantino e professor na Escola das Belas-Artes do Porto, António Carneiro, que aí permaneceu até à sua morte. Encontra-se instalada num edifício dos anos 20 e apresenta a reconstituição dos ateliers dos artistas que aí trabalharam, António Carneiro e seu filho Carlos, figuras simbolistas e modernistas respectivamente e aos quais se juntou, também, um outro filho deste mestre, Claudio Carneiro. Antonio Carneiro além de pintor religioso e histórico, foi poeta e professor de português e a sua grande sensibilidade procurando mais emocionar do que explicar fez exaltar na sua obra um tal modelo psicológico que muitos o consideravam o “retratista das almas”. Foi o único pintor do simbolismo português pintando interiores, cenas familiares, religiosas e paisagisticas. As suas principais influências foram L. da Vinci, Rembrant e Durer. Devido a uma infância difícil foi encaminhado para o Asilo do Barão de Nova Sintra onde começou desde muito cedo a evidenciar o seu talento o que viria a traduzir-se no seu ingresso na Academia Portuense de Belas Artes e assim aos 28 anos foi premiado na Exposição Universal de Paris com a notável obra “ A Vida”; daí para a frente foi um suceder de prémios tanto na Europa como na América. As letras também o inspiravam e dentro do exposto também deixou uma plaquette de poemas como” Solilóquos” e bastantes mais poemas divulgados postumamente. Foi consagrado como percursor do Simbolismo, corrente artística sem seguidores em Portugal. De realçar retratos de grande densidade psicológica abrangendo companheiros, intelectuais e artistas como Teixeira de Pascoais,Correia de Oliveira, Antero de Quental e até mesmo Guilhermina Suggia. Também deixou múltiplos auto-retratos produzidos em diversos materiais e abrangendo diversas fases da sua vida. Em 1973 a Câmara Municipal do Porto resolveu “lavar” a cara a este edíficio dos anos 20 com abertura pública e aí colocar quase todo o espólio pertencente a esta grande figura tanto no que concerne ao seu trabalho como a alguns pertences da sua habitação, em que se destaca uma antiga e valiosa salamandra.Logo à entrada pode deparar-se com uma seleção dos seus mais emblemáticos quadros que constituem a “Sala das Memórias” materiais de pintura, documentos livros e fotografias.Este pequeno local mas de grande valor simbólico e artistico-cultural enquadra-se bem num ambiente de também denominação cultural.
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