domingo, 23 de julho de 2017

OFICINA-ATELIER ANTONIO CARNEIRO

A parte oriental da cidade do Porto está sobretudo para os mais “avançados” etáriamente recheada de recordações ou não fossem aqui situados os dois mais emblemáticos locais de ensino, na altura, devidamente separados por sexo. Quantas vezes se passearam os livros pela rua António Carneiro ( ex Barros Lima )com destino à então papelaria “Pirata” em busca de uma guloseima ou algo ingénuo, mas que para a altura era altamente....! Hoje com outros olhos e outro interesse quando aí se passa não se fica indiferente ao porquê do nome desta rua pois lá se encontra a Casa-Oficina ( embora muitos a denominem por Museu ) do pintor amarantino e professor na Escola das Belas-Artes do Porto, António Carneiro, que aí permaneceu até à sua morte. Encontra-se instalada num edifício dos anos 20 e apresenta a reconstituição dos ateliers dos artistas que aí trabalharam, António Carneiro e seu filho Carlos, figuras simbolistas e modernistas respectivamente e aos quais se juntou, também, um outro filho deste mestre, Claudio Carneiro. Antonio Carneiro além de pintor religioso e histórico, foi poeta e professor de português e a sua grande sensibilidade procurando mais emocionar do que explicar fez exaltar na sua obra um tal modelo psicológico que muitos o consideravam o “retratista das almas”. Foi o único pintor do simbolismo português pintando interiores, cenas familiares, religiosas e paisagisticas. As suas principais influências foram L. da Vinci, Rembrant e Durer. Devido a uma infância difícil foi encaminhado para o Asilo do Barão de Nova Sintra onde começou desde muito cedo a evidenciar o seu talento o que viria a traduzir-se no seu ingresso na Academia Portuense de Belas Artes e assim aos 28 anos foi premiado na Exposição Universal de Paris com a notável obra “ A Vida”; daí para a frente foi um suceder de prémios tanto na Europa como na América. As letras também o inspiravam e dentro do exposto também deixou uma plaquette de poemas como” Solilóquos” e bastantes mais poemas divulgados postumamente. Foi consagrado como percursor do Simbolismo, corrente artística sem seguidores em Portugal. De realçar retratos de grande densidade psicológica abrangendo companheiros, intelectuais e artistas como Teixeira de Pascoais,Correia de Oliveira, Antero de Quental e até mesmo Guilhermina Suggia. Também deixou múltiplos auto-retratos produzidos em diversos materiais e abrangendo diversas fases da sua vida. Em 1973 a Câmara Municipal do Porto resolveu “lavar” a cara a este edíficio dos anos 20 com abertura pública e aí colocar quase todo o espólio pertencente a esta grande figura tanto no que concerne ao seu trabalho como a alguns pertences da sua habitação, em que se destaca uma antiga e valiosa salamandra.Logo à entrada pode deparar-se com uma seleção dos seus mais emblemáticos quadros que constituem a “Sala das Memórias” materiais de pintura, documentos livros e fotografias.Este pequeno local mas de grande valor simbólico e artistico-cultural enquadra-se bem num ambiente de também denominação cultural.
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