A crença religiosa do Homem, aliada talvez a um certa superstição, começou a evidenciar-se desde tempos remotos. Isto levou-o, além de outras culturas como as manifestações artísticas, em prol do seus deuses, ao culto dos mortos, o que acontecia através de cerimónias, orações e rituais oferecidos em memória dos então partidos do mundo. Na era Paleolítica os corpos eram pintados, muitas vezes com ocre vermelho, enterrados com adornos e restos de comida numa posição fletida. Este ritual continuou pela Antiguidade, e foi já na Mesopotâmia, atual Iraque, que os seus heterógenos povos, manifestaram o seu crédito pela vida pós- morte que tinha uma grande importância na cultura deste povo. Segundo a sua mitologia os mortos eram enviados para um mundo subterrâneo, onde se alimentavam de pó e poeira; os vivos reverenciavam os mortos, pois acreditavam que assim a vida lhes correria bem. Não havia julgamento pós vida, mas os mortos atravessavam um rio aí permanecendo até á eternidade. Também aqui os mortos eram enterrados com alguns dos seus pertences e a tumba que os abrigava, mostrava a situação financeira do defunto. Relativamente aos hebreus, israelitas ou judeus, povo monoteísta, tinham uma visão muito semelhante aos sumérios. Os mortos eram encaminhados para uma espécie de submundo sombrio – Sheol - .Aqui também não há julgamento final e a vida na terra é mais valorizada do que a vida pós morte onde não se faz a distinção entre céu e inferno. Os fenícios, povo de grandes transações comerciais e marinheiros representavam homenagem aos seus mortos pela construção de monumentos megalíticos , como antas, dolmens ou mesmo cromolegues. Quanto aos Persas baseados no Zoroastrismo apresentavam a ideia que 30 dias após a morte a alma chegaria à Ponte Cinvitat e que cada alma seria julgada pelos deuses; as boas atravessavam a ponte , as más seriam lançadas ao inferno e as equilibradas entre o bem e o mal eram conduzidas para uma espécie de purgatório denominado Hamestagan. Segundo este povo, o espirito é puro, ma não o corpo, pelo que o corpo do morto para não conspurcar a terra, que é pura e fertil, é colocado nu ao ar livre em estruturas metálicas, chamadas Torres de Silencio. Após comida a carne, restam os ossos que ficam ao sol para serem secos. Mais tarde para impedirem todo este espetáculo macabro e pestilento aderiram à cremação.
Mas o auge da necrografia foi atingido com o requintado ritual dos egipcios que acreditando veementemente que após a morte a alma compareceria diante do Tribunal do deus Osiris, teriam de proporcionar um certo bem estar aos mortos. Assim embalsamavam os corpos em sarcófagos quando se tratava de um faraó, enquanto a restante população era enterrada nas areias do deserto. Mas o embalsamento e a mumificação revestiam-se de umas certas cerimónias, englobando doze etapas de trabalhos; inicialmente lavavam o corpo, retiravam o cérebro pelas narinas; seguidamente os orgãos interiores eram também extraídos através de um corte feito no lado esquerdo do ventre, sendo as visceras guardada em vasos apropriados; então limpo o corpo lavavam-no com vinho de palma e secavam-no com perfumes em pó, sendo em seguida cheio de mirra e canela. Colocavam durante 35 dias o corpo num banho de natrão para perder a humidade e depois era recheado de linho, natrão e ervas aromáticas para preservar e dar forma. A múmia, era encerrada em sarcófagos , feitos de terracota para garantir a sua inviolabilidade e era -lhe colocada na cabeça uma máscara funerária, reproduzindo os traços do morto para assim facilitar à alma o reconhecimento do corpo. Nas câmaras funerárias uma multidão de servidores ocupava-se dos afazeres diários para proporcionar ao morto o ambiente em que tinha vivido. Posteriormente na Antiguidade Clássica, os gregos e os romanos continuando-se a preocupar com o culto dos mortos, e dada a obrigação que aos mesmos assistia de os enterrar, prosseguiram com requintados rituais fúnebres. E assim o culto dos mortos teve e continua a ter um lugar de relevo em quase todas as civilizações sendo, talvez, um dos fenómenos mais diversificados, estranhos e interessantes da História. Encontra-se, no entanto muito mais simplificado e resolvido pela razoável aderência à cremação



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