A escrita surgiu por volta de 4000ac pela necessidade de se obterem comunicações, mas isenta de letras ou símbolos, apenas desenhos a que se dava o nome de expressão pictória ou ideográfica. Este processo era muito ambíguo, muito difícil de escrever deixando margem para muitas dúvidas. O alfabeto foi criado pelos comerciantes fenícios por questões comerciais, todavia isento de vogais as quais foram mais tarde introduzidas pelos gregos.
Mas a confusão de um aglomerado de letras por vezes desconexas que não traduziam bem o que se tinha em mente para ser divulgado, incitou a criação de símbolos gramaticais apostos em palavras com o objetivo de informar a sua leitura correta. Eram os designados ACENTOS. Pois foi o primeiro bibliotecário da biblioteca de Alexandria, Aristófanes de Bizâncio, que os criou alguns anos a.c. e foi no idioma grego que tanto estes como a pontuação foram introduzidos A principal responsável pela evolução e popularização da pontuação foi a imprensa.Assim, começou a notar-se a existência do:
Acento Agudo - proveniente do vocábulo latino "açus" significando agulha
Acento Circunflexo - que na Grécia tinha o formato de meia lua por isso o seu nome deriva de "circunflexus" que em latim significa circulo dobrado
Acento Grave - conhecido por crase devido à contração de dois sons orais num único derivando do grego "krasis" significando mistura
Til - originariamente chamado "titulus" que significa inscrição numa figura.. No séc. XVI os espanhóis adotaram-no para marcar o anasalamento de um vocábulo e re-batizaram-no de Tilde. Havia ainda o Trema muito pouco usado e praticamente sem qualquer utilização.
Juntamente com os acentos apareciam alguns símbolos gramaticais como:
Arroba - sinal que parece mostrar um " a" dentro de um "d" existente desde o Império Romano, representava a palavra latina "ad" indicando lugar. Nalguns países da Europa como Espanha foi considerado medida de peso equivalente a 15kgs e também derivado do vocábulo árabe "arrubá" que significa peso. Posteriormente caíu um pouco em desuso mas em 1977 voltou a ser largamente usado pois associou-se à informática.
& Comercial - nascido 63a.c. foi criado para facilitar a escrita e dar-lhe maior velocidade. O seu criador Marcus Tullius Tiro muito o usou na escrita dos discursos do senado de Roma e colocava-se no lugar de "et". Mais tarde usado em denominações de firmas, estando atualmente posto de lado.
Ponto - apareceu no ano 3000 a.c. deriva do latim "punctum" e designava o furinho que uma agulha faz sobre uma superfície. Foi utilizado pelos gregos mas os egipcios utilizavam-no em textos poéticos para ensinar às crianças a escrita hierática ( letra simplificada para os hieróglifos) Na Idade Média era empregado como artifício para abreviar as extensas palavras em latim; servia também para assinalar a presença de um nome próprio num texto. Muito tempo depois assumiu a função atual de determinar o final de um assunto/frase.
Aspas - usadas pela primeira vez cerca do sec. XVI em manuscritos da alta Idade Média. Eram representadas pelo sinal lambda na horizontal ( o). O seu inventor chamou-se Guillaume, razão pela qual ainda hoje se chama em França a este símbolo "guillements"
Virgula - apareceu por volta do sec. XV; os gregos chamam-lhe "komma"( assim como os ingleses) e significa recorte , dar um folego
2 Pontos - deriva do grego " kolon " que é a extremidade das asas de um passarinho. Surgiu no sec. XVI e era utilizado para separar frases, função atual do ponto final.
Há, ainda outros símbolos gramaticais de pouca ou nenhuma relevância, tendo sido alguns definitivamente banidos. De referir que todos os acessórios auxiliares da escrita, além da finalidade com que foram inventados se regem um pouco pela subjetividade de quem os utiliza, pelo que muitas vezes a sua omissão ou errada colocação poderá distorcer completamente o sentido e interpretação de uma frase.

Muito bom... Sempre com temas interessantes!
ResponderEliminarFico contente por ler avaliações como esta, sobretudo por virem de pessoas com bons conhecimentos e cultura. Obgda e bjs
ResponderEliminarMais uma "lição" sobre a escrita e seus sinais gráficos, sem os quais nada faria sentido, como sempre um trabalho fantástico
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