No atual momento em que há uma certa abertura para tudo o que está fora dos canones educacionais, sociais morais e mesmo éticos o PALAVRAO enquanto palavra obscena, grosseira ou ofensiva e não como palavra difícil, termo pouco conhecido, demasiado técnico ou rebuscado adquiriu um certo estatuto de permissividade. A sua frequência tanto verbal como oral parece ter entrado na Sociedade como paradigma imprescindível do nosso quotidiano, ultrapassando as regras do aceitável. Efetuam-se debates, constituídos por psicólogos, sociólogos e estudiosos na matéria que de uma forma acérrima defendem as vantagens e a precisão a nível psicológico do uso do palavrão. Este faz hoje parte da linguagem do dia a dia da grande maioria das pessoas, apesar de muitas vezes ser considerado ofensivo e um habito desnecessário. A sua existência é longínqua vem do tempo dos Romanos, linguagem que usavam baseados em tabus sexuais. Também mais tarde Freud preconizou a teoria de que a censura, ou seja a repressão dos nossos actos e dizeres poderiam levar o individuo a recalcamentos e repressões. Mentiria qualquer ser humano que dissesse que jamais usou o palavrão até porque de certo modo nele se encontra uma componente emocional, um alívio de stress e da dor física, de satisfação, enfim dá uma certa realização a quem moderadamente e nas devidas circunstâncias o profere. Há, no entanto factores de socialização e integração que inibem o seu uso constante e desnecessário, muitas vezes, porque o hábito já está enraizado em quem o pronuncia ou porque as pessoas se querem tornar "engraçadas" procurando uma coesão social e de inserção. Há ainda o caso de pessoas que devido à sua personalidade têm tendência para o palavrão como sejam os extrovertidos, stressados ou agressivos. Dizer asneiras é uma circunstância da vida moderna, mas sem necessidade de abusos, e deve dar-se-lhe o significado da classe de onde emanam. Se a língua portuguesa é rica em palavras e expressões, porque não procurar um certo eufemismo para exprimir os nossos estados de alma? Atualmente a maior percentagem da juventude desconhece o palavrão, pensando que determinada coisa tanto pode ser chamada de uma maneira ou de outra, é tudo aceitável, por isso a palavra "palavrão" está a caminho de ser banida como outras coisas que eram tabu e hoje são do léxico diário. No entanto, e sobretudo para os mais "entrados" há certas convenções sociais e educacionais que exigem nos regremos e dominemos para evitar certos demandos. Como tudo na vida há que haver um certo equilíbrio na balança que nos rege, sendo o fulcro a razão, a coerência e o estabilizar equitativo de ambos os lados.
Muito bom este teu texto e infelizmente muito atual. Parabéns
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