quarta-feira, 5 de outubro de 2016

ALGUMAS FIGURAS CARISMÁTICAS DO PORTO

Tanto no Porto como em todas as outras cidades, vilas e lugarejos existe sempre uma ou mais figuras carismáticas que muito pelo seu peculiar tipicismo fazem parte do quotidiano das mesmas e atravessam gerações. Geralmente são figuras populares conhecedoras empiricamente do que a vida é,e que de certa maneira deixam algo para pensar depois do seu desaparecimento. Algumas delas ainda estarão presentes na mente dos Portuenses, nomeadamente o “ Pipocas”, ardina de aspeto pícnico que todos os dias percorria os sítios mais centrais do Porto com uma saca de serapilheira a tiracolo, do interior da qual, por mérito do seu apergoamento, saíam para compra os jornais diários da época ( hoje esta profissão a que chamavam de “ardina” está extinta, assim como alguns jornais que a referida figura emblemática transportava). Noutra vertente um pouco mais ousada havia o “Carlinhos da Sé” que muitos injuriavam pela sua apresentação efiminada e provocatória. Vendia também numa zona problemática da Sé roupa interior de senhora, exibindo-se sempre muito efeminadamente. Também dentro do mesmo género se ouvia falar do “Rosinhas, o prostituto “ que nuns socos altos e de avental rendado se exibia à porta do Bolhão, e indo nos dias dos Finados percorrer o cemitério, num meneio de cima a baixo, vendendo velas. A “Mamuda” de apelido atrbuído aos seus dotes peitorais e dona do restaurante Montenegro na rua do Campinho, aí juntava figuras notáveis como individuos que trabalhavam no extinto jornal “ o Século”, pessoas ligadas ao teatro e ao fado como o saudoso Vasco Santana, Raúl Solnado e Amália Rodrigues entre outros. Na Ribeira do lado do Porto o “Frita Lêndias” que preparava deliciosas iscas de bacalhau confecionadas sempre com um gesto pouco recomendável para o trabalho em questão, ou seja, continuamente coçava a cabeça. Noutro plano poder-se-à referir o velho Élio (Hélio ?) de Amorim de apresentação sui generis , podendo-se chamar hoje um metrossexual ligado ao sector dos carpélios , aficcionado pelas corridas de automóveis, viaturas de alta cilindrada e vamps. Também foi uma figua que deixou recordações o famoso Pedro Sem”, mas a figura mais positiva e altruísta da cidade foi, sem duvida, o “Duque da Ribeira” adaptação criada pela sua mãe do seu verdadeiro nome Deocleciano Monteiro. Barqueiro de profissão criado e nascido na Ribeira do Porto, muito cedo em convívio com as águas do Douro, aos onze anos salvou um homem de morrer afogado sendo a partir daí um constante salvador de vidas até mais ou menos aos 94 anos, idade da sua morte. Foi alvo de diversas homenagens, condecorações e honras, dando-se como exemplo o seu nome dado à praça junto à Ponte Luís I onde se encontra uma lápide com o seu busto;um dos primeiro bares da Ribeira tem o seu nome( de onde era frequentador assíduo) e foi elevado ao estatuto de figura pública convivendo com diversas personalidades portuguesas e estrangeiras. Provavelmente muitas mais figuras emblemáticas haverá para lembrar, anteriores ou posteriores a estas





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